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Brilhe ou não lá fora,
faça o sol brilhar dentro de si!
À semelhança do que se passa no mundo lá fora, também dentro de si
brilha um sol. Um sol magnífico, esplendoroso, cheio de energia e
calor para irradiar.
O sol lá fora, quando surge com mais força, é fonte de energia,
força, motivação para sair, se expressar, comunicar, fazer. Quando o
tempo está mais escuro, mais facilmente se instalam as depressões e
pode haver menos motivação e força de vontade.
O sol interior também traz esta força, energia e motivação. É o fogo
que nos leva a sair, interagir, fazer, dançar, cantar, sorrir. Aí
reside um enorme potencial, residem, entre outros recursos, a
segurança, a tranquilidade e o bem estar. Mas tal como lá fora, por
vezes as nuvens mais densas não deixam ver a sua luz.
Cá dentro, tal como lá fora, as nuvens ameaçam chuvas e tempestades,
umas mais, outras menos. As nuvens internas são os pensamentos
(mente racional) e eles estão sempre lá, quase companheiras fiéis do
céu azul tranquilo… No entanto, estas nuvens podem ser como aquelas
lá fora, rarefeitas ou até mesmo nuvens brancas e fofas, que compõem
qualquer cenário, dando-lhe um toque final de beleza, harmonia e
equilíbrio, ou podem ser como aquelas nuvens mais densas e escuras,
que deixam tudo imerso em escuridão.
Os pensamentos estão sempre presentes, mas que tipo de pensamentos?
Daqueles que dão luz e cor ao estado de equilíbrio natural (que lhe
é intrínseco) ou daqueles que ensombram e assombram o seu bem-estar?
Se os seus pensamentos andam nesta segunda categoria, muito
provavelmente estará a experimentar o seu inverno interior e está
tudo bem se assim for! É importante saber que este não é um traço ou
característica da sua personalidade, mas um estado em que se
encontra. E como todos os outros, este também é útil e necessário. O
inverno, lá fora ou cá dentro, permite-nos colocar as ideias em
ordem, processar informações e acontecimentos, levando-nos ao
recolhimento, à inacção para que a força e energia que se manifestam
no momento, sejam canalizadas para esses processos internos. Por
vezes, este processo dura mais tempo do que desejaríamos, podemos
embrenhar-nos nele de tal forma que nos pode parecer difícil
encontrar a porta de saída. Este processo é idêntico à morte e
transformação interior. Geralmente daí vêm novos conhecimentos,
perspectivas e aprendizagens, por vezes mais subtis, por vezes mais
marcantes, depois levando ao renascimento; o nascimento de um novo
eu! Este é o surgimento da Fénix, a ave que renasce das suas
próprias cinzas. E sempre que renasce, surge mais forte. Esta força
vem das novas perspectivas e aprendizagens, de uma nova luz
interior. E o sol volta a brilhar!
Para deixar o sol brilhar, deverá segurar as rédeas destes processos
internos, mergulhando e emergindo sempre que queira ou necessite,
mas sem perder o pé, sem deixar que os pensamentos o governem a si.
Como fazê-lo? Existem muitas formas de o fazer, muitas tácticas para
recuperar o controlo interior, o controlo da sua vida; uma delas
será a sua, terá de encontrá-la! Deixo-lhe aqui um desses
exercícios. Imagine apenas...
O lago interior
Imagine um lago cujas águas se agitam com o impacto daquilo que
acontece à sua volta, como se pequenas pedras fossem atiradas nas
suas águas. A partir da zona de impacto da pedra na água, formam-se
pequenas ondas concêntricas que, como uma onda de energia, se vão
espalhando pelas águas da superfície desse lago., até chegar às suas
margens. Com o tempo, essa energia vai se dissipando, diminuindo de
intensidade. E, naturalmente, as águas tornam-se de novo serenas,
tranquilas. E quando estas águas estão tranquilas, elas formam um
espelho perfeito, reflectindo de forma clara e fidedigna a
tranquilidade do céu azul acima delas e o sol radiante.
Assim acontece com o seu lago interior, que se agita com as pedras
que recebe nas suas águas e estas pedras podem ser situações,
acontecimentos ou mesmo pensamentos. Quantas vezes um só pensamento
é o suficiente para agitar essas águas?
Quando essas águas se agitam, ficando até por vezes revoltas, a
agitação interior é tal que não permite um pensamento claro, lúcido
ou tranquilo. A partir da zona de impacto geram-se ondas que se vão
propagando por toda a superfície do lago e fica muito difícil
reflectir a tranquilidade do céu azul ou a luz do sol interior. Pelo
contrário, o reflexo vai ser também ele agitado; reflectindo essa
agitação interior.
Com o passar do tempo, a intensidade dessa agitação, dessas ondas,
vai diminuindo até dissipar-se por completo. Não só o passar do
tempo o consegue, como também cada momento, como este, em que se
permite relaxar, cada momento em que escolha fazer algo que
realmente goste de fazer, em cada passeio consigo próprio, em cada
momento em que desfruta o presente, estando e sendo o momento.
Então, as águas desse lago ficam novamente tranquilas, pois esse é o
seu estado natural, um estado de equilíbrio, de tranquilidade,
serenidade. E tranquilas, elas reflectem, naturalmente, a
tranquilidade do céu azul, um céu azul em que as nuvens continuam a
passar, lá à distância, tranquilamente. E à distância, sendo
observadas, elas não podem perturbar as águas desse lago. Reflectem
ainda a luz do sol interior, um sol radioso e radiante, onde residem
imensos recursos e capacidades que irradiam com a sua luz.
E quando as águas deste lago reflectem, tranquilamente, esta luz,
ela irradia a partir de dentro e flui através da sua forma de ser e
estar, por toda a sua linguagem verbal e não verbal. Deixe que a
serenidade dessas águas flua através de si, preenchendo e envolvendo
cada célula, cada molécula, até à mais ínfima parte do seu ser!
Sofia Morgado
Hipnoterapeuta
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