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Muito podemos dizer sobre este tema.
Para falar de fobias temos de falar de
ansiedade, pois os distúrbios fóbicos são uma
das perturbações de ansiedade identificadas pelo
Diagnostic and Statistical Manual of Mental
Disorders, já a caminho da sua 5ª edição (DSM IV).
A ansiedade, tal como o medo, é uma resposta
neurofisiológica ao stress sentido e este,
segundo Hans Selye (1978) é a resposta não
específica do organismo às exigências a ele
impostas.
A sua pesquisa pioneira levou ao desenvolvimento
do síndroma geral de adaptação, que constitui um
conjunto de reacções não específicas
desencadeadas quando o organismo é solicitado
para se adaptar a um estímulo adverso ou
ameaçador. Todos os organismos, desde a bactéria
ao Homem, desenvolveram mecanismos de defesa
para lidar com mudanças significativas no seu
ambiente interno ou externo.
Os estados emocionais, como o são definidos a
ansiedade e o medo, modificam e modulam o
funcionamento de todas as funções cerebrais e
fisiológicas, cuja utilidade é optimizar esta
capacidade de adaptação do organismo a um
contexto ambiental específico, aumentando as
suas hipóteses de sobrevivência, tanto a nível
básico (sobrevivência do organismo) como a nível
social.
Resumindo, podemos dizer que a ansiedade é um
estado de alerta que serve para avisar de um
perigo eminente e possibilita a tomada de
medidas para enfrentar a ameaça. O medo é um
sinal semelhante que se distingue da ansiedade
por ser uma resposta a uma ameaça externa
conhecida e definida ou de origem não
conflituosa. Estes estados emocionais são muito
próximos e são regulados pelo Sistema Nervoso
Autónomo, que desempenha um papel importante em
situações de emergência.
Mas esta resposta "inata" serve para nos deixar
em estado de alerta, prontos a reagir, ao nos
depararmos, por exemplo, com uma cobra ou mesmo
para impulsionar o nosso estudo para um exame,
prevenindo uma nota baixa e consequente abalo no
nosso ego, muitas também são as vezes em que o
perigo não existe e, ainda assim, este sistema é
activado como que por engano. No entanto, é mais
fácil desencadear todo o processo do que
travá-lo, funções estas reguladas por diferentes
áreas no nosso cérebro.
A fobia pode então ser definida como um medo
irracional e exacerbado, em que este sistema de
alarme é disparado por um estímulo mais ou menos
específico. Este estímulo pode ser um local, uma
situação ou um objecto e pode tomar as mais
diversas formas. Podemos encontrar fobias de
água (hidrofobia), do ar (aerofobia), de certos
animais (como, por exemplo, a aracnofobia ou a
felinofobia), da morte (tanatofobia), de espaços
fechados (claustrofobia), de sangue (hematofobia),
de objectos cortantes, de andar de avião, de
atravessar a rua, etc. Cada uma com o seu nome e
cada vez se "descobrem" mais nomes para dar a
mais fobias específicas. Por uma questão de
practicalidade e simplicidade nas nomenclaturas,
foram definidos 3 tipos de fobias: fobia
específica, fobia social e agorafobia (com ou
sem transtorno de pânico associado).
Chegamos no entanto à conclusão que, no fundo,
todas se resumem ao mesmo, o medo do medo, pois
o que está por detrás do comportamento e mesmo
da sintomática é a associação que o sujeito fez
a determinado estímulo. E o medo dos próprios
sintomas, assim como àquilo a que eles podem
levar, levam ao evitamento das situações e
objectos-estímulo.
Existem os mais diversos tipos de fobias e a
característica que distingue este tipo de
distúrbio do transtorno do pânico ou do
distúrbio de ansiedade generalizada é o facto de
existir um estímulo específico e identificável
que dá início à reacção de ansiedade.
De entre estes tipos de fobias, pode ocorrer a
Agorafobia ou a Fobia social, cuja
característica essencial é uma ansiedade acerca
de estar em locais ou situações das quais
poderia ser difícil sair ou nas quais pode não
haver ajuda disponível na eventualidade de
ocorrer, por exemplo, um ataque de pânico ou
sintomas associados. Esta ansiedade e medo levam
ao evitamento das mais diversas situações.
Sendo que ambas as emoções de que falo são em
tudo idênticas, falamos do mesmo tipo de
manifestações sintomáticas, que poderão ser
somáticas ou cognitivas. De entre estas
manifestações podemos referir as tonturas,
inquietação, palpitações, taquicardia,
formigamentos, tremores, suores excessivos,
confusão, sensação de falta de ar, medo de
morrer, medo de perder o controlo, desconforto
abdominal, náuseas, diarreia, urgência urinária,
hiper-reflexia, dores musculares devido à
tensão, entre algumas outras variações.
Um facto recorrente em diversas pesquisas é a
medida em que a ansiedade afecta as nossas vidas
quando o sistema de defesa e alarme é disparado
por um estímulo não específico ou que não
representa um perigo real, seja para a
sobrevivência do organismo ou a nível social.
A ansiedade e o medo são, de facto, estados
emocionais que "ocorrem" naturalmente nas nossas
vidas. É a partir do momento em que estes
começam a ser sentidos de forma persistente e
perturbadora, que precisamos de tomar uma
atitude. Por vezes pode, inclusivamente,
dificultar a ascensão na carreira profissional,
quer essa fobia se demonstre nos
relacionamentos, ao falar em público ou ante a
possibilidade de andar de avião quando este tipo
de deslocações se fazem de alguma forma
necessárias para tal progressão.
Quando o medo atinge tais proporções na vida de
alguém, é necessária ajuda para o vencer e
aprender a lidar com a ansiedade.
De entre a oferta terapêutica existente,
encontramos a terapia comportamental, a
existencial, a Gestalt, a psicanálise, a terapia
centrada na pessoa, análise transacional e
hipnoterapia. A abordagem terapêutica mais comum
na fobia específica será talvez a
dessensibilização sistemática e com muito bons
resultados. Mas cada pessoa é diferente e assim
o seu universo de experiências, como tal deverá
ser o seu tratamento.
Podemos encontrar as mais diversas causas na
origem destes transtornos fóbicos, assim como
diversas teorias explicativas para os
transtornos de ansiedade.
De acordo com a teoria psicanalítica, e segundo
Freud, existem dois tipos de ansiedade: a
ansiedade resultante da libido frustrada e a
ansiedade decorrente de um sentimento difuso de
preocupação ou medo que se origina num
pensamento ou desejo reprimido.
Também as teorias cognitivas nos indicam que
estes distúrbios surgem de crenças e pensamentos
inapropriados e inexactos relativos a
circunstâncias do mundo da própria pessoa.
Segundo a teoria comportamental, a ansiedade
será uma resposta condicionada a determinados
estímulos do meio ambiente do indivíduo.
A teoria existencial tem como ideia principal o
facto de que o indivíduo toma consciência de um
profundo vazio na sua vida, uma percepção que se
pode tornar extremamente perturbadora, sendo a
ansiedade a sua resposta a este imenso vazio
existencial e de significado.
Nas teorias biológicas, existem estudos
genéticos que mostram dados consistentes quanto
à existência de pelo menos um componente
genético envolvido no processo. Sabemos ainda
que o nível de ansiedade do indivíduo se
relaciona a um gene específico envolvido na
produção da serotonina, que vai no sentido das
descobertas que indicam que certas deficiências
químicas no cérebro parecem produzir alguns
tipos de distúrbio de ansiedade.
Estas descobertas vão ao encontro de outras que
nos relatam até o mesmo tipo de fobia em mais do
que uma pessoa da mesma família. Podendo estas
últimas, no entanto, também estar de acordo com
a teoria comportamental justificando este facto
como uma fobia que pode ser herdada, não via
genética, mas via observação e aprendizagem.
Outros pesquisadores acreditam ainda que a causa
pode estar na actividade exacerbada do sistema
nervoso autónomo, numa amígdala demasiado
activa, área responsável pelo disparo do alarme,
ou deficiente activação do córtex pré-frontal,
área responsável pela "travagem" do mecanismo.
Concluindo, existem diversas teorias para as
causas dos distúrbios de ansiedade, no entanto nenhuma explica
integralmente a totalidade dos casos.
O melhor tratamento vai depender então das mais
diversas circunstâncias. No que refere à minha prática, a
hipnoterapia pode ser de uma ajuda valiosa neste sentido, uma vez
que tanto vai abordar a vertente cognitiva, como a comportamental,
podendo, se necessário, passar pela análise, pela dessensibilização
ou qualquer outra abordagem terapêutica que mais se adeque ao
sujeito, tirando partido do estado de atenção concentrada e do
relaxamento não só físico, como também do relaxamento das crenças e
aprendizagens limitadoras existentes, por assim dizer.
Sofia Morgado
Hipnoterapeuta
Referências:
American
Psychiatric Association (2000). DSM-IV-TR.
Retirado de
http://virtualpsy.localweb.com.br/dsm.php
Selye, H.
(1978). The Stress of Life,
Revised edition. New York: McGraw-Hill Book Co.
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