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A ansiedade pode ser sentida nas mais diversas áreas da nossa vida e, no mundo de hoje, é cada vez mais sentida como um problema que é necessário manter sob o nosso controlo, tornando-se este um assunto bastante discutido. Sendo a ansiedade uma vivência universal, partilhada pelos indivíduos que a sentem de uma forma natural na sua vida e por aqueles que a sentem de uma forma patológica, muitos estudos têm sido feitos sobre a emoção em si, as suas causas, os seus efeitos na vida do indivíduo e os seus mecanismos.
A ansiedade, definida como um estado emocional, é, tal como o medo, uma resposta neurofisiológica ao stress sentido. Segundo Hans Selye (1978), stress é a resposta não específica do organismo às exigências a ele impostas.
No artigo sobre as fobias, abordei, então, um pouco sobre estes estados emocionais muito próximos (a ansiedade e o medo) e sobre a ansiedade enquanto um sinal de alerta, servindo para avisar sobre um perigo iminente e possibilitando a tomada de medidas para enfrentar a ameaça. Estes estados emocionais são regulados pelo Sistema Nervoso Central, mais precisamente pelo sistema Nervoso Autónomo, que desempenha um papel importante em situações de emergência, do qual fazem parte as supra-renais
Diversos estudos foram feitos pelas neurociências, que desmontaram e desenvolveram este processo, tendo sido encontrados dois caminhos prováveis para a informação e desencadeamento da respectiva resposta de ansiedade. Inicialmente julgava-se existir apenas um, que levava a informação captada pelos nossos sentidos até ao tálamo, seguindo daí para outras áreas de processamento sensorial no neocórtex, onde esta é processada e compreendida através de outras aprendizagens, enviando finalmente a mensagem à amígdala e ao hipocampo para que a informação fosse comparada com outra já conhecida, sendo desencadeada a resposta a partir deste ponto (Goleman, 2002).
Da amígdala partem mensagens para todas as principais partes do cérebro. Daqui sai informação para o córtex pré-frontal (local que pode bloquear a resposta ansiogénica), assim como, caso a amígdala faça soar o alarme, são activados o hipotálamo, o tronco central e o sistema nervoso autónomo (via medula espinhal). O hipotálamo, responsável por manter a homeostase e regular o comportamento que é crítico para a sobrevivência da espécie, segrega a hormona que prepara o corpo para as respostas de emergência, desencadeando a reacção luta-ou-fuga através de processos secundários. O sistema nervoso autónomo activa a mais diversa gama de respostas no sistema cardiovascular, nos músculos e no estômago. No tronco central, o locus ceruleus produz noreprinefina (também conhecida por “noradrenalina”), espalhando-a pelo cérebro e deixando-o basicamente em estado de alerta.
“A maior parte destas mudanças ocorre fora do consciente”, no entanto, “quando a ansiedade que era inconsciente se torna consciente”, a amígdala dispara novamente uma série de respostas já bem conhecidas de toda a sintomática da ansiedade e “toda esta sequência – da incerteza, à surpresa, à apreensão e ao medo – decorre no espaço de cerca de um segundo”. (Goleman, 2002)
Um dos inconvenientes deste avançado sistema de alarmes neuronais é o facto de as mensagens urgentes enviadas pela amígdala serem muitas vezes desactualizadas. Enquanto repositório emocional, a amígdala compara a informação que recebe no momento com situações do passado, por associação, e quando um elemento da actual situação é vagamente semelhante a um do passado, considera-o ”igual”, sendo por isso um “circuito tão pouco refinado: age antes de ter plena confirmação dos factos” (Goleman, 2002).
A ansiedade deveria ser um mecanismo usado pelo nosso organismo para nos proteger e alertar para o perigo iminente, sempre que activado. Muitas das vezes, é de facto assim que acontece. Tanto serve para nos deixar em estado de alerta, prontos a reagir, ao nos depararmos com uma cobra, como para impulsionar o estudo para um exame, protegendo-nos de uma nota baixa e consequente abalo no nosso ego.
No entanto, muitas também são as vezes em que o perigo não existe e, ainda assim, este sistema é activado, como que por engano. Está claro que é mais fácil desencadear todo o processo (via amígdala) do que travá-lo (via córtex pré-frontal).
Um factor recorrente nas pesquisas citadas é a medida em que a ansiedade afecta as nossas vidas quando o sistema de defesa e alarme é disparado por um estímulo não específico ou que não representa um perigo real, seja para a sobrevivência do organismo ou a nível social. Mas não só o desencadear do mecanismo em situações não conflituosas, como também a persistência dos sintomas muito além do estímulo ou ameaça ter desaparecido se tornam uma constante nos dias de hoje e uma problemática a resolver.
Sofia Morgado Hipnoterapeuta
Referências:
Golemam, D. (2002). Inteligência Emocional, 11ª edição. Lisboa: Temas e Debates – Actividade Editoriais, Lda. Gorman, C, Park, A., Whitaker, L. & Cray, D. (2002, Agosto 26). The Science of Anxiety. Time Europe, 160, 9, 46-54. Selye, H. (1978). The Stress of Life, Revised edition. New York: McGraw-Hill Book Co
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